Cap. 9 – Nosso livro escrito pela metade

Prosaico

19 de março de 2021. 22:16. engavetado.

No início as palavras saiam mais facilmente. Por horas e horas escrevemos os primeiros parágrafos tendo o céu amanhecendo como companhia. O enredo falava sobre a vida com seus altos e baixos. Citações de presente, passado, ideias de futuro, verdades, desabafos, lembranças, gostos, opiniões, revoltas, risadas, desejo, brincadeiras, tensão… foram uns dois meses escrevendo essas linhas.

Teve profundidade, conexão e emoção pra dar frio na barriga. Era leve. Bem humorado, melhorava os dias. Fazia sentido. Escrever dava uma boa sensação.

No mês seguinte as coisas desandaram. A paixão no início da escrita estava se dissolvendo? O que era fácil virou uma barreira. Comunicação com ruído. Observações nas entrelinhas em formas de música. O que era claro, se tornou turvo. Uma nuvem densa cobriu as ideias, as sensações e os sentimentos. Talvez fosse um bloqueio criativo que surgiu inconsciente. Mas e se não for?


Era uma história que talvez se tornaria um sucesso. Maioria dos escritores costumam criar esperança de que dê certo e certeza de continuar arriscando. Porém em outros casos, alguns escritores carregam uma bagagem de decepções literárias. Se deparam com algo que parece estar indo bem demais e desencadeiam alguns sentimentos negativos. Querem o sucesso mas são barrados pelas más experiências. Insegurança. Medo. Confusão. Auto sabotagem. Vontade de desistir. Indiferença. Comparações.

O pessimismo toma conta. A “certeza” de que algo está fadado ao fracasso sem antes mesmo de ter existido, vem com força. Acredita (acha) fielmente que não dará certo, pois não deu certo nas outras vezes. É a certeza baseada no nada. É a confirmação comparado ao passado com o futuro que nem foi vivido. A desistência virou a única opção?

A outra pessoa não ver alternativas a não ser de pegar os rascunhos sobre a mesa e joga na gaveta. Deixa pra lá. Dar um tempo. Porém na cabeça as palavras seguem rodando. Desistir nunca foi tão difícil. Analisa a situação. Pensa nos caminhos. Vale a pena esperar? Quais são as possíveis direções?

Continuar esperando ou seguir em busca de uma nova história?

Tocando agora: Roberta FlackKilling Me Softly With His Song e Antonio Vivaldi – The four seasons, violin concerto in F Major, Autumn: III. Allegro

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