Resenha: A Menina que Roubava Livros

“Quando a morte conta uma história, você deve parar para ler.”

⌕ · Bem vindoㅤ✦ㅤBlog por Elly Melo 
⊰ escrito em ༄ 25 ∶ 07 ∶ 2020 ‹

Ps: Essa resenha é do livro e não do filme! E não tem spoiler grandes e importantes para a história então pode ficar tranquilo quanto a isso. 😀

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Observada pelos olhos da morte, a menina que roubava livro de somente nove anos se vê em um mundo de cabeça pra baixo sendo abandonada e presenciando a morte levar uma das pessoas que ela mais amava. Mas o que ela não esperava era viver por tantos acontecimentos que marcariam sua vida pra sempre.

Acontecimentos bons e ruins…

A Menina que Roubava Livros, é uma obra de ficção escrita pelo australiano Markus Zusak, que lhe rendeu diversos prêmios tanto na austrália quanto em outros países. O livro foi escrito se baseando no período da Segunda Guerra Mundial na Alemanha entre os anos 1939 e 1943, e é conhecido como “fenômeno literário”.

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A estória começa sendo narrada pela Morte, sim, exatamente isso que você leu. A morte, que observou a vida da ladra de livros durante da Segunda Guerra Mundial decidiu dar uma pequena pausa em seus afazeres, preparar um café e contar a história de Liesel Meminger, uma menina de nove anos que já no início da história passa por um momento de tristeza e sofrimento que ela não esperava passar. Sendo abandonada e furtada pela morte, Liesel não teve tempo para luto e passou a viver com o casal Hans e Rosa Hubermann, moradores de uma cidadezinha fictícia em Molching, na Alemanha. A narradora admirada por Liesel, nos conta sobre seu trabalho durante a Guerra e suas tragédias, e também o dia a dia da menina que teve que se adaptar em uma escola difícil, mãe adotiva “agressiva”, ter pela primeira vez uma boa relação com um pai e um vizinho tão corajoso e audacioso quanto ela.

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Tendo que viver só com o essencial por causa da pobreza, do início para a metade do livro a estória é contada mais sobre as dificuldades de adaptação de Liesel na cidadezinha, seu relacionamento com seus novos pais, seus dias ao lado de seu novo amigo Rudy Steiner e claro, seus furtos e amor pela leitura.

Podemos achar o livro meio parado e lento de um certo capítulo até a metade, já que no início o autor já nos apresenta a história com três grandes acontecimentos na vida de Liesel e com o passar dos capítulos, aquela empolgação de “o que vai acontecer?” que sentimos, vai caindo ao decorrer da leitura.

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Contudo, da metade do livro para o final, depois que chega um novo morador na casa de Liesel, a história começa a nos segurar, já que queremos saber como tudo vai se desenrolar. Várias questões começam a surgir e os capítulos parecem menores do que antes. Quando menos espera, estamos perto do final do livro; devorar os últimos mini capítulos acontece de forma tão rápida e intensa, que a leitura está nos últimos dias e tudo só acontece.

O livro termina e temos aquele clássico e conhecido “vácuo interno”. Não demora tanto pra digerir a estória pois o autor escreveu tudo de forma leve e fluída, sem ser pesada demais para assimilar e sem prolongar demais nos acontecimentos ruins.

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Observações finais

Para quem gosta de um livro que contextualiza bastante os acontecimentos e não gosta de livros de histórias pesadas e agonizantes, esse livro será perfeito. Por mais que a narração seja feita pela Morte e seja durante um dos períodos mais pesados e tristes da nossa história, o livro é mais focado na roubadora de livros e sua vida. Claro que durante a história temos momentos relacionados as consequências da Guerra, e como esses casos se relacionam com Liesel, porém tudo é escrito de forma abafada e leve.

E não posso me esquecer das ilustrações na obra que te insere nos momentos que estão acontecendo durante a leitura. O que é um ponto positivo e bem interessante.

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Particularmente, não gostei tanto do autor ter falado de momentos que nem foram tão relevantes para história principal. Tudo o que era feito por Liesel era contextualizado com vários capítulos, seja na escola, quanto com o grupo de amigos, os roubos e os afazeres domésticos. Por ser um livro narrado pela Morte, aparentemente a Morte parecia muito mais interessada nas entregas de roupas que a Liesel fazia com sua mãe, do que com a Guerra rs

Sinto que o livro seria muito mais empolgante e rico se o autor contextualizasse acontecimentos que realmente são relevantes para a história tanto da Guerra, e também da cultura judaica que passou despercebida no livro. Tendo Max Vandenburg como judeu, e um dos personagens mais importantes do livro o autor poderia ter se aprofundado um pouquinho na cultura e, pelo menos, nas datas comemorativas que existem no judaísmo, para criar um pouco mais de significado para quem é judeu e ser interessante para quem não conhece a cultura, e não resumir o judaísmo somente ao nazismo sabe? eles são um povo com uma história e cultura muito rica que poderia ter sido explorada (mesmo só com o básico) na história. E olha que oportunidades não faltou, já que a protagonista demonstra a todo momento afeição e curiosidade pelo Max.

No entanto, isso é mais voltado para um gosto pessoal, e que por ser um livro que usa um acontecimento histórico como base, acabei criando expectativas em cima disso.

E, apesar disso, o livro não é de todo o ruim, penso que o autor preferiu ir para esse caminho mais prolongado da estória, pra não ficar muito sufocante com uma coisa acontecendo atrás da outra. E fiquei bem satisfeita na metade do livro pro final; foi como uma onda de acontecimentos crescendo num oceano, para que então ela quebrasse em cima de você sem causar muitos arranhões ou machucados.

A V A L I A Ç Ã O ⊹

Autor: Markus Zusak
Páginas: 545
Primeira publicação: 2005
Nota: 4/5

Avaliação: 4 de 5.

2 comentários

  1. Esse é o meu livro preferido! HahaH Mas entendo você não ter gostado, até porque a narrativa é bem fora do comum.

    Sobre o interesse da Morte pela protagonista, uma professora de literatura me disse que existe a teoria de que a Morte é a própria Liesel. Quase como se a história fosse a personagem revisitando sua vida.

    Ótima resenha!

    Curtido por 1 pessoa

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